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sábado, 15 de outubro de 2016






Caminhada nos Campos de São José

Numa manhã de sexta – feira me refazendo  de uma dor de garganta aguardando o telefone tocar para ganhar uma grana para comprar um pisante quem leu Dois Perdidos numa noite suja de Plínio Marcos sabe o que estou dizendo. E nada de telefone e a Mantiqueira diante de meus olhos aqui da Vila Industrial hoje o bairro todo quase sempre com cheiro de bosta de cavalo por causa de uma refinaria ?  Não resisti e peguei um circular para o outro lado do Paraíba com destino a Vargem Grande que historia diz que Cassiano Ricardo nasceu. No começo atravesso a ponte da foz do Rio Buquira que deságua no Paraíba do Sul. A estrada começa cheia de Chácaras em pleno Alto da Ponte e uma capelinha que avisto cercada de casas , pena estava fechada em sua beleza delicada. O ar ali se fazia puro. E nos em nossas guerras internas e externas. Primeiros quilômetros muitas fotos uma vargem grande se mostra e no outro lado os primeiros sinais da Serra da Mantiqueira uma linda estrada asfaltada que chega a Caçapava. Já fiz até lá descendo no ultimo ponto de ônibus ,mas neste dia avançaria além do Luso com um belo mascote fotografado. Que lugar lindo os Campos de São José dos Campos. E o rio Paraíba bem longe sem acesso só fazendas bem fechadas é o latifúndio. Imaginem  que eu achava que encontraria uma enorme vila. Mas encontrei um povo solidário ao caminhante pela estrada. Um senhor que mora no Acampamento Nova Esperança duramente conquistado pelo sem terras há anos atrás. E ele me falou que tem sim por ali uma cachoeira onde agora se paga para entrar. E uma lagoa de águas geladas, mas estava cansado foi uma caminhada de mais ou menos dez quilômetros. Gostaria de visitar o acampamento não pela política ,mas pela simplicidade daquele povo. Bem perto da cidade existem os Campos de São José e faço minha jornada por eles as vezes acompanhado as vezes sozinho. Comecei com O Stepan Maurer Neto e o Reinaldo Prado nos anos 90. Quem sabe uma hora desta uma bicicleta, uma Brasília , mas nunca quero abandonar a jornada a pé.Fotografei um Urubu e seu alimento um velho cão. E a morte as vezes é bela. E o latifúndio. E caminho sonhando com minha casinha de varanda para ver o Sol Nascer. Quem quer se aventurar pela nossa cidade e qualquer outra deste imenso Brasil ? Consegui por volta do meio dia e meio uma carona ... Eita gente boa neste mundo rural a cidade me encanta e desencanta no fim desci no centro da cidade e encontrei alguns amigos no caminho para aquelas conversas rápidas que valem a pena. A cidade das palavras por entre espinhos e encantos. E quem a defenderá para que ele se humanize. Quem sabe um dia passeio por uma canoa de ossos como no poema de Ricola.

Joka

João Carlos Faria          

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