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quinta-feira, 11 de agosto de 2016


Ai de nós trabalhadores que ousamos pensar !

Rainer Maria Rilke: O torso arcaico de Apolo Não conhecemos...

O torso arcaico de Apolo

Não conhecemos sua cabeça inaudita
Onde as pupilas amadureciam. Mas
Seu torso brilha ainda como um candelabro
No qual o seu olhar, sobre si mesmo voltado

Detém-se e brilha. Do contrário não poderia
Seu mamilo cegar-te e nem à leve curva
Dos rins poderia chegar um sorriso
Até aquele centro, donde o sexo pendia.

De outro modo erger-se-ia esta pedra breve e mutilada
Sob a queda translúcida dos ombros.
E não tremeria assim, como pele selvagem.

E nem explodiria para além de todas as fronteiras
Tal como uma estrela. Pois nela não há lugar
Que não te mire: precisas mudar de vida.

Nestes tempos de debate sobre gêneros e tudo o mais que ainda se faz tabu esta exposição no Taubaté Shopping me chama a atenção ! Pena escrever sobre algo que minhas retinas e meus sentidos
só virão diante de um computador.
Mas tudo sempre se faz recriação. Debate de uma obra com outra como em artigo que há pouco li de Pasquale Cipro Neto na Folha de São Paulo. Com o titulo “ A arte que poderia nos salvar “
Estamos em um momento em que se debate as inimaginável opções sexuais do ser humano.
E qual o papel do gênero masculino embora nem seja tudo novo desde os anos setenta a androginia
esta ai as vezes mais forte ou mais fraca. E o que é a beleza masculina ?
A beleza e a liberdade de criatividade feminina não se discute.
Mas e o homem preso a falta de criatividade. Sem poder soltar sua imaginação em relação a sua
moda ?
Gerei muitos desconfortos quando ousadamente usava saia. E ai parei pois entrava em algo como
performático e estranho. E como escritor , poeta preciso é observar o mundo e não ser o personagem a ser observado. Por este e outros motivos e até por espaço no mercado de trabalho parei ai de nós trabalhadores que ousamos pensar.
Mas pensar é algo para dias sem trabalho. O trabalho e horas dedicadas de esforço de ir e vir
atrapalha o refletir o mundo. A ociosidade é vital a a artistas e pensadores.
Dias corridos não se fazem de reflexão. Que o diga Domênico de Masi em seu livro O ócio criativo.
Já imaginamos quantas citações faço para colocar uma ideia no papel. Então somos coletivos
quando criamos.
E o papel do gênero masculino e seu corpo nestes dias ?
Múltiplas identidades acompanhei e acompanho a jornada do cartunista Laerte Coutinho em seu debate.
Achei no começo que propunha algo menos radical. Mas ele faz um debate.
Tudo se transforma e ser recria nestes dias. Mas a beleza masculina e feminina esta ai e sempre
esteve desde que o homem descobriu a arte.
E sem arte, cultura e educação não somos. Não existimos !
Deixar pegadas pode ser necessário ao universo.
A vida se faz livre para aqueles que desbravam o que o oraculo de Delfos dizia “ Conhece a
ti mesmo “.
E quem de nós se fará homens de verdade como procurava Diógenes com sua lanterna ?
Viver mesmo que em um cotidiano interminável é uma grande aventura.
Em que porto atracaremos após estes mares bravios neste eterno ir e vir e nunca tornar-se.
Belo poema de Rilke que originou esta exposição “Procura-se um muso”.
E enfim este ensaio de tema que nunca se esgota só se soma a outras obras.
Criar a que se destina ?


Joka

João Carlos Faria 






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