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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Quem é este Pedro que abala o bom mocismo da poesia de hoje ?


Dentro de meu planejamento para uma segunda – feira não estava contando que escreveria
alguma coisa. Segunda -feira dia de nos concentrarmos nos problemas do dia a dia. Mas
eu com minha mania e a eterna luta contra o jeito cartesiano e certinho de navegar que nos é emposto a todo os momentos principalmente nas arte e educação. Tento nadar contra a corrente
enquanto uso um personagem de quase politicamente correto. Eu que fui editor do LITTER
nos anos noventa em que cada jornal que fazíamos tinha uma enorme provocação a caretice
daquela década. Acabei pegando a revista Língua da editora Segmento – Novembro de 2014
e nas muitas e boas matérias que já li e devo até reler como A genética define o idioma de Luiz
Costa Pereira Júnior mas no final da revista tem uma bomba que mexe com a literatura de hoje trata-se do senhor Pedro José Ferreira da Silva em um artigo de Marcílio Godói e quem é este Pedro ?
Quem entende e gosta de literatura sabe simplesmente Glauco Mattoso é este poeta que simplesmente nos provoca e traz novamente o soneto de uma forma moderna. Em um livro
que li das Cartas de Paulo Leminski a Regis Bonvicino já se falava ali de uma carta que tinha
recebido de Glauco.
Eu vi Glauco declamar muito no programa Musikaos da TV Cultura infelizmente acabou.
E Glauco esta ai sempre a nos provocar com uma poesia forte sem meias palavras, escatológicas
que nos faz refletir a arte. Mostrando que arte nem sempre é o belo mas o que nos provoca
e quem disse que viver é algo fácil se o fosse não haveria filósofos, artistas , poetas e todas as
tentativas de camisas de força que nos aprisiona nesta caótica sociedade.
Não dá para tentar entender este poeta ou qualquer um dos viscerais entre eles Leminski, Roberto Piva e muitos outros que não cabe aqui.
Mas a literatura esta ai para incomodar e não ser certinha. Com ele chegamos aos Xamas , guias
espirituais para o bem ou o mal. A palavra cria sem o verbo não há existência.
Mas resistir a tudo que nos prende neste caos que é a sociedade atual. O que faz falta é que
as cabeças que ousam pensam preferem a solidão. E navegamos sós nos barcos da vida.
E no Parque Vicentina Aranha em São José dos Campos estava lá numa estante de doação
que já levei muita coisa esta revista. E numa tarde pode acontecer de tudo e como uma música
do cancioneiro popular de Petrucio Amorim.

Se avexe não
                      B7
            Em
 B7
amanhã
pode acontecer tudo inclusive nada
         Em
se
avexe não
E o nada não se fez fiquemos com a poesia sem nenhuma definição de Glauco Matoso que
nos incomoda mexe com os demônios que estão dentro de nós e que devem aparecer para
mim decepá-los. Quero me ver livre dos demônios para ir além do bem e do mal.
Quantas montanhas devemos subir e quantas vezes devemos descer aos infernos ? A jornada
é dura o deserto esta ai a nossa frente.
Viva a poesia. Que nos incomoda e nos faz navegar.
Confiram a música na voz de Cristina Amaral.

Joka

João Carlos Faria

Alguns poemas de Glauco Matoso


Alguns poemas de Glauco Matoso

         
SONETO 274 PACIFICISTA [GR ]
 
Apelos pela paz são comoventes:
Parece até que toda a raça humana
ou quase toda, unânime, se irmana
na firme oposição aos combatentes.
 
Campanhas e cruzadas e correntes
envolvem muita mídia e muita grana,
mas nada se compara à força insana
do gênio armamentista em poucas mentes.
 
Pombinhas, flores, nada disso importa
na hora da parada militar,
se acharmos que o perigo bate à porta.
 
A fim de protegermos nosso lar,
deixamos que haja tanta gente morta,
mas não aqui: só lá, noutro lugar.



SONETO REMONTANDO A 1999
 
Me veio sem aviso: após o gozo
noturno, entre uma insônia e um pesadelo,
percebo que a memória é poderoso
recurso e que preciso conhecê-lo...
 
Sucedem-se os sonetos: volumoso
parece ser o veio... Em breve, o selo
Ciência do Acidente dum Mattoso
febril publica a praga, o berro, o apelo:
 
Entre uma "Centopéia" e uma "Geléia
de rococó", completa "Paulisséia
ilhada" a trilogia que hei criado...
 
Começa a nova fase, que não finda
nos mil, nem nos dois mil, pois muito ainda
virá calar quem quis me ver calado.






SONETO INGLÓRIO (RECRIANDO O
SONETO 192 DE PETRARCA) 1073


Revejo, a sós comigo, o meu fracasso,
que pela lei do Além tive por pena.
Amarga-me o sabor, e me envenena,
das trevas, às quais tantos versos faço.

Artífice me torno, e meu espaço
não passa do soneto, embora a pena
dedique-se ao louvor de quem tem plena
visão e me espezinhe a cada passo.

Folhagens verdes, flores coloridas
destinam-se aos que podem, rindo, vê-las:
aqueles cujos pés, num par de Adidas,

passeiam-me na língua, enquanto pelas
surradas solas sejam as lambidas
mais ávidas que um olho a ver estrelas.

         (de As mil e uma línguas)


Pesquisa dos poemas :





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