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terça-feira, 16 de junho de 2015

Cinzas são as estatuas caídas no meio do oceano Atlântico

Eu atravesso o dia em frangalhos me espanto com os monstros que me habitam.
Na década de 90 dois amigos pegaram uma carona de São Xico a Joanópolis em um fusquinha
escutava-se Janis Joplin.
E o que será liberdade ?
E tudo passa e a tal liberdade ?
E Raul dizia na canção que o sábio chines não sabia se era a borboleta ou um sábio chines.
E numa noite num sonho eu não era eu era outro sendo eu.
E quantos eus cabem dentro de nós ?
Eu não sendo não sou. Confiro os desenhos de um poeta. E não sou sendo.
E Janis Joplin desliza em ondas em meus quase surdos ouvidos.
Eu não eu. E acordo sem despertar.
E alguém me fala para estudar grego, latim e apaixonar-me pela mitologia do antigo Egito.
Quantas palavras sem sentido?
E não sou quem sou ?
E as paginas de antigos rituais deslizam diante de mim no culto de eras de povos.
Cinzas são as estatuas caídas no meio do oceano Atlântico.
E diante de um espelho que se quebra em milhões de pedaços muitas partes de mim
que não sou.
E diante de mim no espelho vejo demônios, anjos.
Corpos sedutores e não me deito.
Como numa velha canção que escrevi no final da década de oitenta.
E perdida para o mundo.
Hoje me levantei querendo deitar, me sinto cansado pois eu vi o meu
passado.
Tantas canções que compus que estão perdidas para a eternidade.
E a vida segue e não me reconheço no espelho.
Eu atravesso o dia em frangalhos me espanto com os monstros que me habitam.
Eles ainda me devoram enquanto não os decifro ?
Estou morto. E morto ouço Janis Joplin.
E o fusquinha cegue sua estrada e todos nos perdemos na velha curva da vida.
Ao som de Janis.

Joka

João Carlos Faria


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