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sábado, 3 de janeiro de 2015

Ritual de Brasilidade, Folia de Reis.

Dedicado a memoria de Dona Josá, bisavó.

Tarde de verão, num sábado. Tirei o dia para o sossego nada de sair. Preciso meditar
na noite, chuva de mais de uma hora. Lendo um bom livro. Derre pente um som forte nas ruas músicas e felizmente não era aqueles fankes cariocas em alto volume. Que nos fazem sonhar com condomínios fechados. Vivemos num pais sem estado, sem governo sem policia. Educação nos falta. Por causa desta ineficiência o capitalismo
soa vitorioso. Criando uma sociedade cada vez mais egoísta e dissimulada.
Mas era algo bom nossas raízes ali retratada em minha rua. Uma folia de reis. Deixei o livro e sem pensar a segui. Aquela música, aquele cantar que vem de
dentro de nossa alma. Ao meu ver algo indígena, africano dentro do Catolicismo.
Entrei na casa acompanhei. Senti -me parte daquilo por alguns momentos me via
cantando e tocando aquelas violas. Terminado sai não fotografei, não filmei me sentiria invadindo aquele ritual de Brasilidade. Algo que as pessoas dizem como roubar a alma.
Que pais é este que nos surpreende sempre. Que povo que se altera de humor. Hoje ganhamos Mandis pescado numa represa de Paraibuna. Três peixes bonitos prestes
a morrer. Ser carnívoro é algo bem estranho. Mas necessário.
Lembre-me de minha Bisavó Dona Josa que mantinha um belo presépio o ano
todo em Paraisópolis Sul de Minas Gerais em plena Serra da Mantiqueira.
Ela fazia aquelas quitandas, biscoito, doces, broas o ano todo. Eu sempre passava
férias em sua casa. Católica tradicional só ouvia a Rádio Aparecida.
Eu andava por suas terras na época ela tinha mais de oitenta anos.
Este Brasil Caipira esta dentro de nós, mesmo que se moracemos em grandes cidades
o que gosto em São José dos Campos e que com uma simples passagem de circular
podemos ir numa bela zona rural. Cercadas de matas e cachoeiras alguns lugares deveriam ser reflorestados.
Do meu bairro Vila Industrial nos anos oitenta. Íamos pela imensa Vargem até o
Rio Paraíba do Sul. Tentei isto a uns dois anos e levei um choque de uma cerca elétrica. Fui com um amigo em 2009 até Santana por um caminho beirando um
córrego infelizmente poluído. Sempre quis andar de Canoa no Rio mesmo poluído. Com outro amigo vi uma lancha. Para aquelas bandas tem uma fazenda antiga
que tem uma Vila com belas casas mas a entrada atualmente é proibida e hoje
respeito os limites. O Brasil se desconhece?
A arte, cultura aqui contagia poucos, faço parte de uma minoria segundo o poeta Carlos Aguapé uma Tribo Invisível.
Minha grande incerteza é não conseguir contribuir com algo novo dentro de uma
sala de aula enquanto educador? Parece que as escolas daqui tem uma certa influencia
da ditura militar do tempo de prefeito Sobral.
Que tentou modernizar a cidade, proibindo tantas coisas. Na Rua XV conta-se que
as pessoas passeavam de um lado a outro. E este prefeito colocado pelo
governo militar simplesmente proibiu.
Ele construiu o Teatrão para servir para Operas, Concertos e erraram na acústica.
Ele deixou marcas reacionárias na educação segundo muitos profissionais da educação da cidade mas quem ousa debater?
O silencio faz parte de nossa cultura. Se bem que a Revista Caros Amigos tem
uma bela série das revoltas Brasileiras.
Somos, caipiras, mudernos eu tento seguir os passos de Oswald Andrade, Mario de Andrade mas só tento.
Porque tudo que fazemos parece sempre dar num grande abismo e sempre temos
que recomeçar do Zero.
Vamos seguindo a passos de tartaruga, bem devagar. Quase sem recurso e sem apoio.
Mas resistir sem nunca desistir. Na democracia se pode tudo nada se faz.
O Capital modela as pessoas. A educação não liberta serve para criar meros operários,
consumidores.
Quem ousa pensar esta fora da festa. Mas como alguém da resistência me confessou devemos procurar as brechas.
Vamos seguir em frente a vida é bela.
E não temos crédito no cartão de crédito.

Joka



João Carlos Faria

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