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sábado, 22 de novembro de 2014

Pedra na moleira

Para Dudu Pererê

livre recriação de um poema de Joka. .

Mas o poeta Saci, poeta moleque.
Brinca com as palavras.
Tem hora que parece que nem existimos.
Filhos da matrix, nos perdemos no labirinto
Abaporu nos devora. E alma brinca de roda.
A vida flui e nada se desfaz
Almas vagantes.
Mera ilusão, noite, dia , noite.
E o poeta Dudu Pererê nos arremessa uma pedra na cabeça.
Bem na moleira.
Inútil resistência
Faz um coro com um poema de Manoel de Barros.
E dança, brinca com as palavras.
Libertários, canários em fuga da jaula imaginaria de
um sistema doente.
Somos otários e em nossas periferias negro é morto sem justiça.
A bala escolhe a cor da pele.
Somos periferia e não nos percebemos a margem.
E o consumo compra nossa inexistente consciência.
Mas o poeta Saci, poeta moleque.
Brinca com as palavras.
E nos faz sair de nossas tentações diárias.
Afinal existimos ou somos um mero número de CPF?
E quando transformaremos?
Pensar sem agir não basta.
E ai mano Caetano Veloso quando aquele índio vem?
E canta Dudu Pererê
Se eu fosse você, escrevia um livro. Se eu fosse eu, era livre.
Poeta sem autorização por escrito: Palavra Grito”


Joka


João Carlos Faria

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