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quinta-feira, 27 de março de 2014



No sítio Nhá Chica sempre há pássaros na cozinha, as galinhas passeiam pela área, os esquilos gostam de se embrenhar no fogão à lenha, as preguiças com seus dois filhotes ficam na embaúba perto da casa. Me acostumei com os bichos e, creio, que eles comigo.
A raridade é que aqui na cidade, todos os dias, um pardal entra pela cozinha, atravessa toda a sala e vai para o corredor para se olhar e se bicar no espelho. Me acostumei com ele.
Hoje ele me deixou pegá-lo, levei-o para o jardim e o soltei com grande alegria. O segredo é saber esperar, criar intimidade, como aconteceu com esse pardal que, se abaixou para que eu acariciasse suas penas. Até parece que ele sabia que eu ia deixa-lo partir, sem demora.
Depois, olhei para o céu, aqui em Eugenio de Melo, me lembrei que daqui a pouco vou falar a respeito de Cora Coralina e que ela era da Ordem Terceira de São Francisco. Fui até minha pedra de São Francisco, em frente de casa, e agradeci por esta alegria. Certamente é um sinal!


João Carlos Faria

A beleza no amarelado cotidiano

É o pardal ganhou seu dia de beleza.
Pardais cruzam nossos dias e nem nos
damos conta.
Ave pequena toda cinza.
Dizem ser praga.
Mais como cães vira-latas do céu.
Como as pombinhas que já foram da paz.
Nesta nossa urbanidade.
Esquecemos de ver a beleza.
Só queremos o canto dos canários.
Estamos cercados de pássaros e cantos.
Só não queremos perceber.
Estamos presos a nossa algema da pressa.
E esquecemos de viver.

Joka

Inspirado numa foto de Rita Elisa Seda

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