Seguidores

domingo, 30 de março de 2014


Para compra o livro


A poesia de Nydia Bonetti
Ler esta poeta nos inquieta e até nos faz reabrir o computador para criar uma matéria a nossa maneira para não deixar seu livro ficar em branco. Já até achei o site da editora para poder comprar o livro.
Faz um tempo que me delicio com seus poemas assim como de vários poetas de nossa geração a Poesia no Brasil vai bem obrigrada ainda não achei resenhas deste livro além do poeta Claudio Daniel no seu blog.
A vida flui através desta poeta sempre em pequenos versos tenho a mesma boa impressão sobre sua poesia quando no ano passado fiz a leitura de Manoel de Barros pela primeira vez.
Acompanho inúmeros poetas mas Nydia tem uma força de atração para meu olhar.
Ela livre e solta bem diferente de alguns poetas que tanto gosto.
E assim como criança redescubro a poesia sem as causas militantes.
Uma poesia sem amarras.
Desfrutem desta poeta que desabrocha neste século vinte e um.
É bão falar de quem se sobressai nos dias de hoje sinal que vivemos nosso próprio tempo.
Nydia tem muito a nos prestigiar com sua poesia. E nos aponta inumeros caminhos para a poesia que sua obra chegue a inumeros lugares e atravesse o oceano.
Nydia poeta de quinta grandeza na constelação da poesia.


João Carlos Faria












NYDIA BONETTI
 
Autora do livro de poemas Sumi-ê, Nydia Bonetti, engenheira civil, nasceu em Piracaia, interior de São Paulo, onde reside. Mantém o blog L o n g i t u d e s(http://nydiabonetti.blogspot.com). Colaboradora naRevista Mallarmargens. Tem poemas publicados em revistas e sites literários e culturais: Revista Zunái, Portal Cronópios, Musa Rara, Eutomia, Germina Literatura, e outras. Faz parte da coletânea QASAÊD ILA FALASTIN(Poemas para a Palestina), Selo ZUNAI e da Antologia Digital Vinagre - Uma antologia dos poetas neobarrocos.Publicada em 2012, pela Coleção Poesia Viva, do Centro Cultural São Paulo, na antologia Desvio para o vermelho (Treze poetas brasileiros contemporâneos), organizada pela poeta Marceli Andresa Becker. Publicada também em 2012 pelo Projeto Instante Estante, de incentivo à leitura, curadoria de Sandra Santos, Castelinho Edições. Participou da Poemantologia da Revista Arraia PajéuBR, numa iniciativa conjunta com o Portal Cronópios.

Acredita na poesia como tradução da “devoção interna”, muito além de qualquer manifestação intelectual e segue - ao pé da montanha, à margem do rio, em busca da flor.









Poemas de Nydia Bonetti

fogo apagou!
gritava o pássaro da minha infância
pressagiando as cinzas que viriam



chão descoberto
chão descoberto
onde me faço e me descubro
até que me cubras
e eu me desfaça - em chão

o não sonhado
queria ter sido - não foi
já foi  já era - foi
de certa forma somos
também o que não fomos
pois sempre estamos
se estamos somos 
o que pudemos ter sido
até além  do imaginado
- o não sonhado é 
o que chamamos  vida

muitos
um anjo
- agora são dois
com seus pés vermelhos
suas asas brancas
caminhando lendo
pelas ruas de pedra
da cidade que habito
colhendo sementes
um deles me olha
como se dissesse
— agora crê?
e segue
colhendo sementes
pelas ruas de pedra
da cidade que habito
caminhando lento
com seus pés vermelhos
suas asas brancas
- agora são muitos
anjos
nenhuns
singelos ou loucos vamos
fazendo poesia
pois que somos todos
uns ou outros
ambos talvez
nenhuns
toada
o salmo
o sal
a mó
a mão
que move

que tudo
canta
e conta
no poema
que sinta
quem

leva-me
leva-me palavra
donde

meus pés e olhos
não

me levaram

por não saber ou não
poder

querer quem sabe não
sonhar ou

por não haver
estrada
hera

olhos antigos
queimam

hipotética chama

dilatadas pupilas
branca-flor

perdida

hera
que não ousou

ir além

- e o muro
nem era assim

tão alto

trilha possível

queria sol
e um céu pequeno

sobre minha cabeça

trilha possível
e um chão sereno

sob meus pés descalços

flores à margem
nem precisava

eu as recriaria

chuva miúda
bastaria

tourada
olhos do touro
nos olhos do toureiro
a lâmina

o casco

vermelhas as areias
o sangue inocente

as meias

do homem que mata por prazer
animal

asas aflitas
fase silenciosa
antes do amanhecer

(como demora o sol
quando se espera por ele)

asas aflitas o pressentem

(sou do bando dos pássaros
acordadores do sol)

desde sempre assim
(antiga sina)

eu espero por ele
ele espera por mim

- e a noite perpetua





rebeladas penas
é tanto sol
que uma pena da minha asa preguiçosa se soltou

voou leve lá fora

do meu ninho pude ver o vôo silencioso das penas
que flutuam

outras tantas se rebelam agora - mal posso contê-las
ansiosas asas se contorcem

e o vento e o sol e o vento - fui... ganhei o céu

preces quase

1.

meu coração é um redil
de ovelhas loucas

contidas
por contornos tão frágeis

apascenta meu coração

(se me amas)

2.

perdão senhor
não fui capaz de cumprir
teu maior mandamento

(amei tão pouco)



o homem do farol

1.
amanhã
o dia vai ser bonito

o sol mais uma vez vai colorir
a multifacetada crosta
da terra

mesmo vazia - a casa
portas e janelas abertas
irão saudá-lo

2.
em algum lugar
um velho barco regressa
velas feridas tanto sal

olhos aflitos
braços abertos que se fecham
em

abraços

quantos faróis no caminho e o homem
do farol
como suporta

enquanto gira
o velho artefato a indicar por onde
ir

3.
de que lugar escuro a concha
que vai secar

de onde os pássaros que povoam
a ilha

o vento que sopra nuvens agora
e deixa
um pedaço de céu estrelado

posso ver

4.
quantos cabelos e varais mulheres
lavadeiras quantas

lençóis quarados sobre pedras quentes
quantos

amores sobre
lençóis

quantos nãos

camas vazias mãos
quantos olhos
homens e mulheres na sina

dos dias iguais

5.
ondas que se quebram areias quentes
o galo
prestes a cantar

um pio
é quase dia

vai ser bonito

pesam meus olhos na janela
renasce a vida

me entrego

à quase morte do sono
da lida
sem sonhar

cheiro de café com pão
em algum lugar
dizem

que o homem do farol é feliz




Nenhum comentário: