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segunda-feira, 24 de março de 2014

João Carlos Faria


Negação

Esqueceu-se de rezar já era tarde da noite já tinha feito de tudo e cansado
foi deitar.
É a vida o labutar do dia. A procura desesperada de um lugar ao sol.
E a eterna negação de si mesmo. A preferir a ciência.
E o homem se nega. Esqueceu-se de rezar.
E as noites foram passando e a vida sendo levada e tudo sempre igual
e o homem esqueceu-se de si mesmo.
Da divindade que há dentro.
E tudo cada vez mais pesado as leis sempre crescendo e um movimento
levando uma eternidade.
Esqueceu-se de rezar.
E naquela distante ilha era ele eterno.
Esqueceu-se de rezar.
E nada passava e angustia tomando conta e o peso sempre aumentando.
Parecia-se petrificar.
E continuava a esquecer de rezar.
E tudo sempre distante enquanto descia a torre.
Teve um momento que tudo estava pesado.
Parecia-se com uma pedra numa distante vibração.
Mas a velha necessidade de ganhar o pão.
De sobreviver de trazer dinheiro para casa.
E nunca se lembrava de rezar. Nem de olhar as estrelas.
E pensar no divino. E sempre descendo a torre.
Sempre se esquecendo de por o joelho ao chão.
Já se esquecia de quando era estrela.
Só pensava no trabalho. Só esquecia.
Quando percebeu-se pedra.
E só lhe restava rezar.



Joka  

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