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sábado, 15 de março de 2014

João Carlos Faria

Os narizes aspiram pó.

Calor na sedenta noite.
Mortos caminham para o abismo.
Lugares das cidades em chamas.
Temos tempo?
Ausência de fé.
Os filhos da morte burra.
Descemos as escadas para o inferno.
A fé se transforma em ausência.
A dor na ausência de luz.
Os narizes aspiram pó.
E homens transformam-se em defuntos vivos.
Zumbis.
Enquanto cirandas são dançadas em praças.
Em qual circulo dantesco queremos um sofá azul?
Para nos escondermos por entre o lodo de nossos
corpos em fogo.
Fênix a descer abismos.
Incinera-se os lamentos da alma.
Sem luz não tem vida.
Abismos abismos abismos.
Após os seis passos.

Joka



Livremente inspirado Nos filhos da morte burra de Edu Planchez


Filhos da morte Burra




venho hoje expor um poema que encontrei por acaso... mas que não por acaso me apaixonei...
contemplem:



OS FILHOS DA MORTE BURRA
Edu Planchêz


Jovens sem nenhuma utopia
caminham tensos pelas ruas de suas casas velhas sem nenhuma luz,
sem nenhuma luz de Fernando Pessoa;
fechados nas sexuais telas da impotência
se masturbam contemplando corpos em decomposição




Norte de minha Fé,
onde estavam o beija-flor e o arco-íris na hora do nascimento dessas criaturas? Eu entrando na virtuosa idade e eles entrando em idade nenhuma
Quantos raios de flor restam nos corredores dos céus de vossas bocas?
Quais nascentes clamam por seus nomes?



Os filhos da morte burra cheiram o branco pó da anemia,
esqueceram que um dia tocaram na poesia da transgressão
em pleno ventre de suas esquecidas mães;
esqueceram de colar o ouvido ao chão
para ouvir as ternas batidas do coração das borboletas



Os filhos da morte burra,
jamais levantam uma folha para contemplarem o labor dos insetos;
jamais ergueram uma taça de orvalho brindando a vigorosa lua;




Os filhos da morte burra,
desconhecem ou nunca ouviram falar em iluminação;
abrem a boca apenas para vomitar

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