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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

João Carlos Faria

Trópicos glaciais.

Estou calado. Meu nome é João. O meu José carona. Mas cade o sol? Aqui não tem sol.
Mas não estamos nos trópicos? Oito dias sem escrever uma única linha estava eu no século vinte.
Sem TV a cabo sem internet. Estava eu só. Cercado por meus anjos e demônios. Voltar a cidade quando o rapaz onde comprava a passagem me deu a Folha de São Paulo.
Felicidade estampada no rosto um jornal. Depois de oito dias assistindo a TV é fantástico.
Tantas mentiras me sendo contadas. E eu aqui sem saber escrever um roteiro eu João eu José. Trabalhava na feira. E um domingo no parque epa é de Gilberto Gil senhor talento.
Curta a TV a cabo e a internet. Eu que estava longe da civilização. Onde tudo é caro. E respiramos ar puro. Cercado pelas montanhas neste trópico. Mentira o Sul e o Sudeste tem frentes frias. Ai que frio. Desligue a TV. Vá meditar. Que saudade de Caraguá. Que saudade de São José.
Eu alma errante. Artista. Um salão de cabeleireiro na avenida. Depilação feminina?
E tem outra? Quantas janelas. E Léo Mandi em suas intervenções no Parque Industrial.
Eu a quanto tempo só sem nenhum coletivo. As vezes uma matéria ou outra para o Entrementes
e nada além disto. A vida é esta Paulo Barja, Wallace Puosso. Não chore Kafka já nos ensinou tudo sobre a burrocracia nossa de cada dia. Artistas a onde? Estamos sempre com o pires na mão?
Que coisa nossos amigos agora arte educadores vendendo projetos mirabolantes na TV somos todos nós Pinóquios. Temos por acaso nariz de PALHAÇOS?
Que geração somos. Nada sem a internet. Não escrevo mais em cadernos.
Caminhei por doze quilômetros tenho quarenta e quatro anos hoje quase foi um enfarte. E água calma da praia me aliviou eu alma sem corpo ou corpo sem alma.
Quando na Tamoios dentro do ônibus avistei a Mantiqueira ao fundo e uma selva de pedra.
Era São José dos Campos que quero ir embora. E nunca vou oito dias bem que poderia ser oitenta anos. Ou quem sabe oitenta dias num balão estou assistindo novela novamente Além do Horizonte.
Cade o Sol? Eu João. Ei José. E cade Maria ?
Não sei viver só é não viver?
Eu cercado de praias e montanhas.
E agora só montanhas? Para que voltar a cidade?
Para devorar estas paginas que escrevo. Nunca um romance, algo para dramaturgia.
Quem sabe roteirista no Rio de Janeiro?
Eita tanta burocracia, faculdade, partidos políticos, ongues. Quantas mentiras que tentam nos
passar como verdade.
Meus heróis Pinóquios na terra do nunca. Eles estão presos.
E as mentiras sendo repassadas desligue a TV vá meditar.
A vida é CURTA.
Estou calado meu nome é João.




Joka

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