Seguidores

domingo, 27 de outubro de 2013

João Carlos Faria

O segredo da esfinge

A casa moradores de lugar nenhum. Onde moro tudo é mistério. Lugar gelado.
Sem nada. Não existo repito não existo.
Fruto de consumo. Inexisto. Tantas informações e não sei nada.
Respiramos o ar das cidades.
Cidades absorvidas de nada.
Na violência, física, verbal.
A casa moradores de lugar nenhum.
Em que classe social estamos?
Sem sermos representados. Nada se faz real.
Abutres na imensidão do nada.
Cade o sol? Cade o nada? Quem afinal mente?
A casa moradores de lugar nenhum.
Prosa, poemas, ensaios,romances Já me desfaço de gêneros.
Estamos cercados de gênios de frases feitas.
A arte é produtos descartável.
Eu sou descartável nós somos descartáveis.
Mataram a cultura. Não existimos.
A casa moradores de lugar nenhum.
Atravesso o rio a nado. Adentro a floresta.
Cerco-me da ilusão de condomínios fechados.
Fachadas do nada.
Somos mulheres e homens no pós tudo.
Fruto do Kaos. Esquecemos nós da harmonia.
Não sabemos decifrar os segredos da esfinge.
Modernidade, pós modernidade. E tudo hiper?
Somos mentiras narradas no liquidificador.
A historia não existe. Estamos presos no Kaos.
A casa moradores de lugar nenhum.
Subúrbios metafísicos. Deus inventado.
Deus comercializado.
Acredito em Deus. Desacredito na descrença em Deus.
Nada é para sempre.
A casa moradores de lugar nenhum.
O que é a liberdade? Se somos produtos de consumo.
A casa moradores de lugar nenhum.
Quem sabe um romance.
Sentado no trono. Sentado em frente aos jardins das delicias.
Qual caminho escolheremos?
A casa moradores de lugar nenhum.

Joka



Fonte : Wikipédia

O Jardim das Delícias Terrenas é um tríptico de Hieronymus Bosch, no que descreve a história do Mundo a partir da criação, apresentando o paraíso terrestre e o Inferno nas asas laterais. Ao centro aparece um Bosch que celebra os prazeres da carne, com participantes desinibidos, sem sentimento de culpa. A obra expõe ainda símbolos e atividades sexuaiscom vividez. Especula-se sobre seus financiadores, que poderiam ser adeptos do amor livre, já que parece improvável que alguma igreja tradicional a tenha encomendado.

Nenhum comentário: