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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011


JOKA

As ruas

É tarde muito tarde. Mais é cedo muito cedo. A revolução acontece nas ruas. Mas vem  de dentro de nós. Na nossa intimidade. Este calor me faz sufocar. Respiro e expiro. Na noite e no dia. Não sou. Anônimo pela cidade. Nunca somos o que achamos ser. Quando me olho no espelho não sou eu. É noite e a revolução acontece dentro de mim. Vejo muitas vozes. Vivemos em sociedade. Olho para dentro de mim. E suporto este calor Tropical. Assisti a um belo vídeo. Sobe artistas. E esta nação tropical é bem diferente. Não me prendo a teses acadêmicas. Leio muito de tudo. Voltei a ler mais. E continuo a não saber nada. Meu dinheiro acabou. Minha paciência também. E só sei estar só como num poema de Fernando Selmer SÓ EU SEI O QUE É ESTAR SÓ. No momento estou longe de qualquer vanguarda literária prefiro a simplicidade de Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles. Não carrego nenhuma arma na mão. E vejo trens metropolitanos no Rio parados. E o suor desce. E a policia a prender nosso povo. Que nunca tem a quem recorrer. O Rio de Janeiro é a cara do Brasil. E o Pinheirinho pode ser uma nova canudos? Não José Moraes Barbosa. Não é. Como não somos Glauber Rocha num filme de Godard. Eu não e nunca serei. Apenas escrevo minhas doentias linhas. Numa sociedade que nunca se transforma. Então eu devo matar meu eu. E deixar de ser. Nesta vida só sei me suportar. Desligo telefones, celulares, campainhas, televisão. Ponho no chão um colchonete e vou meditar quando o sol se põem. Não tenho medo de entropia. Não tenho medo de mim. Sigo em busca de minha saída. A revolução acontece dentro de mim. E acaba se refletindo nas ruas. Curto os delírios e os surtos de todos nós no Face. Meu caro Edu Planchez o que fazemos não se reconhece, nem sei se fazemos? A revolução só acontece dentro de nossas cabeças? Tudo é impactante. Inquietante. E nada se faz. Prefiro a leitura de poetas, economistas, filósofos. E os Deuses a onde estão?  Nossa vaidade é tão grande quanto nossa mediocridade. Preciso deixar de ser médio. Esquecer a classe média. E me revolucionar. Fazer acontecer dentro de mim. Para que aconteça nas ruas. Tudo é vã ilusão. De nosso inexistente tempo. Quero construir espaços de cultura em qualquer lugar destes pais. A cultura a arte nos salva de nós mesmos. Para que tantas Igrejas? Se não nos deciframos. Não iremos decifrar a Deus. Dane-se a Academia e seu pensar. Seus pesares. Suas teorias. E nossa inútil prática. Somos uma nação Tropical. E este calor nos faz pensar? Deixemos nossa vã ilusão deixemos de pensar. Não somos. A mediocridade acontece junto com nossa ridícula vaidade. A arte se faz quando não nos preocupamos com a arte. A política acontece quando não pensamos em política. Esta cidade não suporta critica. Esta cidade não se reflete. Esta cidade nunca acontece. Vou-me embora de dentro de mim. Minha cabeça se multiplica. Em diversos sentidos. Quais são os versos?  A revolução se faz dentro e acontece nas ruas. Faço poesia quando deixo de me preocupar com poesia. Faço arte quando deixo de ser militante da arte. Tudo é ilusão. Desligo a TV. Desligo-me de minha estupidez. A revolução acontece dentro de nós. E depois chega ás ruas. O Rio de Janeiro se faz presente com a rebelião dos usuários de trens metropolitanos eles se fazem. Eles nos fazem. A revolução acontece nas ruas.  

JOKA
joão carlos faria    

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