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domingo, 6 de novembro de 2011


JOKA

Índio Puri

Tudo é vaidade. Tudo é pueril. Tudo é passageiro. Mas um abraço amigo não é. Um amor verdadeiro não é. Mas tudo se esvai com a ampulheta do tempo. Hoje aqui. Amanhã não mais. Hoje caído. Amanhã em pé. Hoje Santo,  depois Demônio. Para  ir além do bem e do mal. A vida se esvai. E vamos nos esvaindo. Há esta rajada de vento adentrando ao meu quarto neste dia de primavera. Eu que estava vendo o mundo e o sentindo dentro do útero da Mantiqueira. Eu que me imaginei Índio Puri a mergulhar antes da chegada de Cabral nestas terras. Mas tudo é vaidade. Tudo se esvai.Sigo a caminhar pela cidade. Vejo pássaros em parques. Caminho por dentro de minha cabeça. Sou O SACI colado nos postes de minha cidade. Transformo-me em Gigante. E busco a Terra sem males. Não sou. Nunca fui. Quem sou eu além de minhas maldades. Quero chegar a Terra Sem Males.Naufrago. Em meio a tempestades tropicais. Num deserto urbano. Não sou, vazio sou. Não encho-me de tolas vaidades. Meras tolices. Tudo é vaidade. Tudo é pueril. Tudo é passageiro. Mas um abraço amigo não é. Um amor verdadeiro não é. A morte sempre a rodar nossas vidas não é. Como a vida que sempre nasce. Durmo por quinhentos anos. E acordo e vejo a cidade.E vejo minha Mantiqueira. Eu índio Puri. Cadê meu povo? Cadê o povo que estava aqui. Foi-se embora. Não sou. E sou. A metafísica se faz presente   num caçar de gavião num pátio de um colégio. Registrado por minhas retinas. Tudo se esvai. Durmo em frente a minha Mantiqueira. O vento adentra a janela de meu quarto trazendo-me saudades do porvir. Vou-me embora a procura da Terra Sem Males.

JOKA
joão carlos faria

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