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terça-feira, 29 de novembro de 2011


JOKA

Afinal para que servirão todas as revoluções?

Em meio ás ilusões e as desilusões da vida cai na leitura de Cecília Meireles levei mais de cem páginas para entender esta poeta. Agora sei que vou relela. Já há interpretei. Ela nos fala de um cotidiano que não nos damos conta. Eu homem que sempre cantei a mudança de um mundo. Sempre me pautando em ações políticas e hoje me frusto. Totalmente se não nos compreendermos vamos compreender um mundo? Com suas aberrações que chamamos de política? Nada eu hei de mudar com minhas ações?  E Cecília fala-nos de um conhecimento simples longe de qualquer metafísica. Longe de tentar complicar o viver. Cecília nos passa um modo de ver o mundo como as mulheres o vêem? Nós homens sempre pré- dispostos a guerra. E elas a vida ao cotidiano. Quantas revoluções num dia inteiro passam por minha cabeça, enquanto leio os jornais do dia. Ou observo crianças a estudarem. Não somos e Cecília é pura entrega ao cotidiano. Bem longe de poemas processos ou qualquer vanguarda literária. Para que todas estas vanguardas?  Se nos fazem esquecer-se de por a alma numa criação poética. Fazem-nos não ler a vida como ela é?  Li quase todos os teóricos anárquicos. Tenho Marx em minha instante e para que? Enquanto isto Cecília nos revela uma existir dentro de um aquário. Por não entender esta poética que Cecília nos mostra e nos revela não há compreendi. Tentarei não mais escrever uma linha sobre política ou qualquer forma de mudar o mundo. Pois não irei transformar nada se eu mesmo não me transformar. A vida não tem sentido. Nem a metafísica tem sentido. Nem qualquer teoria literária. Tem um poema de um poeta contemporâneo a mim. Que li em mil novecentos  e noventa e seis e nunca esqueço este poma. Ele é assim. A Núbia montava um bisonte. E por ai vai poema de Claudio Daniel. Que me vem á cabeça sempre. E um poema tem explicação? Este calor noturno tem toda a explicação racional. Mas não deixa de ser uma sensação de calor. E nisto Fernando Pessoa, Cecília Meireles. Claudio Daniel me passam  seus sentimentos. A poesia não deve ser tão racional assim nem a vida deve ser vivida calcada em projetos.  Tenho muitos planos. Se  realizarão ou não deixo com o  Universo. Hoje escrevo amanhã não sei. Mas quem sabe crio um roteiro de um filme. Escrevo um ótimo livro. No momento minha musa é a Mantiqueira. E nada mais. Escrever me dá prazer. E quando tiro o peso de escrever para mudar algo. Dá-me mais prazer ainda. Afinal para que servirão todas as revoluções? Já me empolguei quando explodirão grandes edifícios. Já  li alguém que queria matar as cem pessoas mais influentes do mundo e de nossos pais. Mas mudaria alguma coisa? Não outras pessoas e governos mais perversos que os que estão hoje a nos desgovernar assumiriam o poder. Ódio só gera ódio. E amor gera amor. E nunca uma arma ardonada por flores nos trará uma idéia de paz. A violência e o amor são gestados dentro de nosso coração nos temos o livre arbítrio. Fazemos-nos escolhas sempre. Faço e refaço minha escolha pela poética, mas a poética que liberte. E não se prenda a mera estética. Do que nos serve a estética sem coração sem nenhuma alma? O amor nos liberta. Mesmo hoje que vivemos numa sociedade cada vez mais Kaotica e longe de qualquer harmonia. O ódio separa o amor une.Estamos ais admiravelmente vivos. Será que realmente percebemos nossa existência?

JOKA
joão carlos faria

O poema citado.

A NÚBIA MONTAVA UM BISONTE DE OITO PATAS. 


 Segurava na mão esquerda um espelho e na direita um azorrague. A esguia sombra da deusa ou monstro ou fera simulava uma serpente. Seus tornozelos tinham adornos de ossos ou marfim e seu corpo nu era tatuado com figuras de círculos concêntricos. Uma vasta cabeleira  leonina dava-lhe  um  aspecto ameaçador, acentuado por seus grandes  olhos sem pálpebras  e por um fino bigode de gato. Senti um terror  vago e confuso quando sua imagem  ficou refletida em minhas águas; quis gritar, mas não pude. Logo a noite trará de volta o silêncio e a escuridão e eu, o Nilo, poderei exercer novamente esse sublime ofício do esquecimento.


Claudio Daniel

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