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quarta-feira, 12 de outubro de 2011


JOKA

Noite

Pela janela de um hospital vejo o fim do dia. As cores do dia se desfaziam. Quando chegavam as estrelas. Entre dores e fim de vidas. Via o surgir da noite. A vida flui quando a morte chega. E a ampulheta escorre as areias que nos levam. Não temo a morte e temo a morte. Tudo é vã ilusão. Existir é existir.  Tento fazer meu trabalho. E busco acumular algum capital cósmico. Ouço o cantar atemporal de Secos e Molhados. E o rio de minha vida deságua no oceano. Respiramos um tempo. E como chuvas voltamos a vida. É tudo um grande circular. O corpo é pesado e cansativo. Mas tenho a ligeira sensação que sobrevivo bem sem ele. Tudo flui. A noite escura. Meu coração pulsa. Estou vivo. Mergulho  no oceano. Sinto a divina presença. Não sou. E sou? Meus passos são lentos. Não entendo o que me fala? Desconheço-te.

JOKA
joão  carlos faria

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