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segunda-feira, 3 de outubro de 2011


JOKA

Herberto Hélder

Que droga adentro dentro de um revolver.Sou uma bala a queimar que espatifa meu cérebro. Já morri há séculos e ainda não sabia?Não posso e nunca devo ser palatável. Ser fácil acabo de descobrir um poeta acabo de ler um poema de Herbérto Helder. Fui o ultimo a ser avisado. Reais talentos são raros. Sempre estamos na superfície de um oceano. E as vezes emergem monstros da mais recôndita profundeza. Sinto-me traído por minha imbecil vaidade vaidade vaidade. E pensava que pertencia a roda literárias. Faróis que iluminariam quando aparece algo do mais profundo  abismo. Que tolice. Deparo-me com minha ignorância. Ranco minhas roupas. Rasgo minha pele com canivetes. Corto minha cabeça. Sou a bala que rasga meu cérebro. A serpente que morde num desvairo. E morro nú. Numa cachoeira. Sem ver a luz. Senti-me uma criança. Em meio as águas límpidas de um riacho. Atravessei matas. Desci aos infernos. Subi literalmente três montanhas e as desci. Caminhei com alguém que queria brigar com Lobisomens. Falar com corpos secos. Na altitude de minha de nossa Mantiqueira. E agora na noite de tempestades descubro um poeta. Por entre meu sono. Faço-me desperto. Perdi o sono. Despertei de minha ilusória vaidade,vaidade,vaidade. Tenho uma escrita toda a construir tudo que escrevi se perdeu se fez merda. Se fez lixo. Já não tenho livros para serem publicados. Perdi toda vaidade. Realmente descobri que não sou. Nunca fui será que virei a ser. Num ano é muita coisa de Hermann Hesse com Sidarta a Herberto Hélder. E agora o que faço com minha escrita que se esvazia. Que se perde. Com os poetas que li. Antes de ler um poema de Herberto? Jazz. JOKA. Não sou morto estou ainda renascerei? Me perdi em labirinto em insanas busca e agora vejo fluir do mais distante abismo a poética de Heberto Hélder. O que faço só me resta escrever. E continuar escrevendo escrevendo escrevendo ... Uma bala atirada por mim atravessa meu cérebro.

JOKA   
joão carlos faria
     

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