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sexta-feira, 23 de setembro de 2011



JOKA

Levanto-me para orar, deito-me para amar.

Aos olhos de Deus. Somos criaturas. Aos olhos de Deus sempre caímos em contradições. Ouço canções na tarde. Por entre o agito do dia. Aos olhos de Deus me sinto cansado . Não faço o que deveria fazer. Leio poemas na manhã. Em meio ao ir e vir em bancos. Compro informações por kilo e leio por gramas. Juro que nada sei. E busco o sentido de tudo. E no pátio de uma escola pombas copulam a nossa frente? Tudo vazio e me esvazio numa batucada na solidão de uma sala de aula. Tantos temores aos olhos de Deus. Hoje na sexta-feira cansada. Traduzo-me em poucas palavras. Não sou minha aparência, minha cultura sou uma essência. Aos olhos de Deus.Quero ser outro. Busco ser eu mesmo numa sociedade recalcada. Cheia de complexo. E nunca vemos Deus. Mas ele esta em tudo. Quantas explicações sobre Deus. Quantas culturas e não sou Deus. Não sou eu mesmo. Me liberto na divagação de pensamentos. E aos olhos de Deus sou humano. Embora muitas vezes desumano. Navego nas paginas de Cecília Meireles e sorvo sua poesia universal que diz muito de mim de você de todos nós. Aos olhos de Deus dispo-me para tomar banho. Levanto-me  para orar. E nas poucas vezes que faço amor sinto seu olhar. Sinto sua presença na outra pessoa. Aos olhos de Deus. Minha poética e pornográfica? Uma bela manifestação de nossos desejos animais? Quero o desejo transmutado em amor pela parceira que se deita comigo na alcova. Aos olhos de Deus sou eu mesmo na intimidade de minhas ações. No prazer e no entendimento de meus desejos. E no instinto de buscar saber amar. Aos olhos de Deus me delicio com a poética de nossos compositores, tocados em rádios populares. Gostaria de ouvir mais rádios. Quero aprender a tocar um instrumento e finalmente poder criar músicas. Aos olhos de Deus desço a meus sombrios abismos. Revelo-me. E sinto seu olhar. Aos olhos de Deus sou criança. Sou essência. Aos olhos de Deus transparente. Aos olhos de Deus brinco. Me erotizo. Desejo a mulher que nunca terei. Aos olhos de Deus chego a minha PASÁRGADAS. Converso com Manuel Bandeira, Fernando Pessoa. Ouço seus segredos. Aos olhos de Deus desvendo toda a saga de Dom Sebastião. Atravesso o oceano de minha infância. Aos olhos de Deus tento compreender minha frustrante solidão. Aos olhos de Deus tento compreender minhas recorrências. Meus desejos frustrados. Aos olhos de Deus. Tento deixar de ser mera ilusão. Desculpem-me ainda sou mera ilusão. Projeção de uma multidão de eus. Aos olhos de Deus transparência sou essência.

JOKA
joão carlos faria     



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