Seguidores

quinta-feira, 18 de agosto de 2011


JOKA

Devo me levantar antes que o sol nasça.

Os pés de barro. Na noite acidental. Em que o  fogo se acende. Em minha casa não há incensos nem velas. Ainda os terei. Quero acender uma fogueira no alto da Mantiqueira. E horar aos Deuses chego ao fim de O Matrimonio perfeito de Samael Aun Weor sabendo que ainda nada sei. E tentando trazer ao coração. Canto canções de um poeta devasso.Nestas músicas a algo  de mim e de você. Na torta humanidade o quanto desumanos ainda somos. Já não tenho nenhum medo. Atravesso florestas escuras e sombrias. Onde ouvi muitas historias. Adentro ao meu averno.Tento me decifrar. Sei  que estou mais para o mal que para o bem. Devo reerguer me. E seguir o cantar de meu coração. Ainda não sou. Mas serei. Finjo acreditar nas convenções sociais. E quando me deparo com um relógio nas mãos. E alguém me sacualha  quando me diz que estou a um passo de aderir a esta ilusão que chamamos de sociedade.E ai me lembro que sou um ator.Um grande ator.Representando um personagem social. E lembro-me que tudo é ilusão. Tenho quase certeza que andei por aquela Roma decadente tão bem relatado por aquele escritor.Não somos e não sou. Sou mentira recontada muitíssimas vezes. Devo levantar antes que o Sol nasça. Mas escrevo este texto que me vem. Quantas vezes já escrevi. E continuo a escrever. Já li um capitulo de Sidarta de Hermann Hesse. Que um amigo já me contou histórias deste livro.E chego ao livro antes de assistir ao filme. Franklin Maciel já me contou inúmeras historias. Assim como abda Almirez. O tempo passa e poucos ainda resistem ao meu cotidiano. Nós já andamos no Parque de nossa cidade num grande grupo de poetas. Hoje estamos sós. Os pés de barro.Na noite acidental. Não devo olhar para tráz para não virar estatua de sal. Quero adentrar ao hiper espaço e viajar, caminhar por dentro de vulcões. Ver as verdades que me sejam permitidas. Adentro dentro de mim. E não me vejo refletido. Sou grande multidão. Faço-me mentiras não sou ainda não existo. Tudo é maya. Adentro ao averno. Os sacerdotes de Roma foram ridicularizados. Tudo se perde. E se reconstrói. Senti-me parte daquela Roma. Vi-me sendo ridicularizado. Vi-me nas orgias. É duro pensar em orgias ainda hoje. Não me sinto em casa comigo mesmo. O mal que há em mim deve morrer. E devo ir sempre além. Entre o bem e o mal há algo muito tênue. Entre a arte e a não arte. Á um pequeno espaço. Não ser e ser nos confundem. Há templos para serem construídos. Há saberes para serem redescobertos. Tudo se perde e se encontra. Minha espinha deve estar ereta. Não devo pensar em novas orgias em me confinar por vários meses numa mansão  com dezenas de mulheres. Ao final de contas se o fizesse. De mim não sobraria pedra sobre pedra. Pois eu sou o templo de mim mesmo. Tudo se desfaz, tudo é mera ilusão. Que as areias do tempo encobrem. Ainda não existo. Ainda mera ilusão. Não sou não és. Enquanto não se acender uma luz em nossos corações. Os pés de barro. Não devemos olhar para traz para não virarmos estatuas de sal. Para não perdermos Eurípides. Cantemos canções. Celebremos o renascimento da poesia que esta dentro de nossos corações. Os pés de barro. Na noite acidental em que fiz um poema depois de séculos.

JOKA
joão  carlos faria  

             


Nenhum comentário: