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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Joca Faria






Borboletas num portal





Quase tarde … O sol ainda não apareceu. Ultimamente acordo com lembranças de minha vida não dás passadas mas desta presente existência se é que existo? Posso ser uma ilusão. O sol esta dando as caras bem tímido? Acho que não. Cachorros latem. Pássaros como nós em silencio. Porque cantar se estão presos em gaiolas? A vida corre como sempre num cotidiano. Só alguém muito simpática me ligando. Acho estranho ninguém nunca me procura. A solidão sempre me faz compania. Ontem comi pasteis no mercado. Que delicia são estes pasteis fritos na hora. Olhei o teto tinha uma luz dourada nos iluminando. Ai sentei num banco de uma rua. E via as pessoas caminharem a cidade como sempre cheia de belas mulheres. Me sentia um estranho em minha própria cidade não via ninguém conhecido. Para ouvir suas historias e ilusões. A vida é rápida mas as vezes acontece tudo bem devagar. Faz vários dias que não leio um bom romance. Ultimamente gosto mais da prosa que da poesia. A prosa sempre nos conta algo. A poesia é mistério por demais. Prefiro a poesia dentro da prosa. E crio imagens poéticas dentro de meus textos.

Mesmo assim talvez não deixe de ser poeta se é que sou poeta. Acredito que sim. Mas não me torna nada especial. Outro dia vi um portal dimensional em pleno banhado. Numa tarde de terça -feira.

Quis adentra-lo não me era permitido. Tinha um enorme prédio no centro do banhado. Uma região banhada pelo Rio Paraíba do Sul. Que torna São José dos Campos uma cidade bem diferente. Mas ao mesmo tempo igual. Em baixo a trilhos e uma Vila que existe a mais de cem anos. Quando não havia represas ali se inundava. Quem sabe um dia vira um imenso lago. No bairro em que moro a Vila Industrial também tem este banhado. Ele chega até Taubaté terra do escultor Fernando Ito que faz grandes formigas em madeira. Tive a impressão de ver suas esculturas ganharem vida para dentro deste portal. A primeira vez que tive contato com sua obra foi num Shopping qualquer. Belas obras. Adorei sua formiga no SESC. Estava do lado de fora na Avenida Ademar de Barros acabei sentando em cima eita mania de aparecer. São nossos eus. Bem presentes. Felizmente o conheci pessoalmente num destes eventos que sempre estamos. O portal do Banhado é belo um dia destes conseguirei atravessa-lo. Ai não sei se voltarei. São várias as dimensões dizem que existem vários de nós que coisa acho que me basto. Lembrei me que cresci sempre num açougue ou numa loja qualquer. A vida num comércio é rica pena que não tenho esta vocação ou ainda não há descobri.

Talvez meu outro eu numa dimensão qualquer seja um próspero comerciante e chegue a prefeito de sua cidade. Pois de tão chato que sou não viro nem esperto r de quarteirão. Se foce eu prefeito iria além do bolsa família. Nestes dias de frio poria vários carros rodando a cidade e a via dutra para tirar moradores de rua. Para não morrerem de frio. Faria um programa anti drogas que circulasse em todos os bares da cidade. Tá os bêbados tem livio arbítrio podem beber até morrer. Mas qualquer ajuda e sempre é bem vinda. O ser humano por natureza esta sempre em crise. Existir é uma grande interrogação?

Mas nesta vida vou indo. Provavelmente não serei prefeito e com o andar das carruagens nem um escritor reconhecido já não mais importa. O que importa é escrever. Somente escrever. O resto é pura ilusão menos o portal do banhado ele está lá. E real muito mais real que nossas vidas vazias.

Prefeitos passam, vereadores passam nos do povo passamos mas o portal magicamente sempre está lá.

E eu um dia o atravessarei. E não mais voltarei e esta vida será mais um sonho das muitas que ainda não lembro.



João Carlos Faria



Editora Pasárgadas



Vila Industrial São José dos Campos Vale do Paraíba São Paulo Brasil

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