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segunda-feira, 29 de junho de 2009

A poesia de Joca Faria

Joca é coração, não é cérebro.
E as verdades do coração trazem em si um sentimento de urgência arrebatadora que o cérebro em sua polidez fria e política é incapaz de compreender,porque sangra e o sangue que carrega em si a essência da vida também mancha.
Rebelde, anárquico, avesso às convencionalidades, Joca expõe através de seus atos e de sua obra controversa as falhas e defeitos que todos carregamos mas fazemos de tudo para ocultar. Enquanto nos esforçamos para ser polidos, Joca coloca suas tripas sob a mesa de jantar.

Demente? Gênio? Apenas humano, demasiado humano, e é esta sua humanidade assumida sob um espírito irrequieto e atormentado que sonha em ser sublime mas está acorrentado aos mais baixos instintos é que torna sua obra original e dá-lhe a legitimidade que falta à muitos poetas “certinhos demais” e seus textos feitos sob medida para enfeitar geladeiras e estantes da sala, mas que no fundo, nada acrescentam senão o elogio falsa dos hipócritas.

Sua vulgaridade peculiar é antes um grito calado numa infância reprimida e abortada que ato de maldade, pois Joca e sua poesia são crianças, crianças mal-criadas, mas ainda assim crianças.

Talvez seus críticos insistam que em toda a sua obra não haja um só poema inteiro, o que é fato, mas seus fragmentos comovem porque são verdadeiros. Quando deixa o escândalo de lado e assume seus dramas, Joca é poeta e dos bons, só que é pedra bruta, precisa ser lapidado porque em seu interior sempre haverá cravada uma brilhante pepita de ouro, e não são todos capazes de enfrentar a dura rocha para encontrar esse tesouro.

Se há um grande pecado no poeta Joca é não abrir mão de sua humanidade para ser um poeta de porcelana, desses que trocam versos elogiosos por banana.


Franklin Maciel

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