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domingo, 28 de dezembro de 2008

Aqui não há sala de jantar...

Joca Faria

A tarde molhada de dezembro se faz presente...nada como estes dias em que somos obrigados a parar...Para se preparar para um novo ano. E tudo me parece sempre...igual...Mas esta chuva que molha. Para mim nunca vai ser igual...A séculos que não escrevo...Devo sempre deixar meu ponto de vista imperfeito para o mundo...
Nunca sei ... O que é o mundo o que nos cerca ou que a mídia nos vende? A chuva cai sem se saber chuva...Como nos vivemos ...Sem saber a vida...Tá tentando refletir feito Fernando Pessoa que mau há nisso...Faz tempo que não o leio, dias destes vi um poema dele numa livraria ...que perfeição. Mas mesmo assim não deixo de ser...Mesmo sem saber...Que saudade destes escritos...Mas é bom ficar um tempo sem escrever...Para sentir o prazer da escrita. Neste silencio de uma tarde de fim de dezembro...Não ouço nada além de sons e ruídos de automóveis uma calopsita
pousada em meus ombros... Sou o silencio molhado desta tarde escura.... Não tenho nada a escrever...Mas escrevo...Tento silenciar a minha mente para me descobrir...Nestas horas acabo sonambulo...o pássaro bica meus dedos...Aqui não há sala de jantar...Não há mulheres desejosas de amor...O pássaro brinca enquanto brinco de viver...Por estes tempos ando lendo livros...Já estava com saudades de livros...Tenho saudades dos livros que ainda não escrevi...Tenho muito para dizer...Se penetrar na densa floresta descrita por Paulo Rafael fazia muito tempo que não ficava fã
de algum poeta que se diz poeta. E o Paulo é uma exceção a falta de talento que ronda esta cidade
em que vivo...Não por culpa das pessoas ou até por culpa delas mesmos. Não devemos buscar a literatura como um título social. Ou fazer arte por vaidade. O caminho é árduo e restritivo penetramos numa grande floresta escura em busca de nós mesmo...A troncos, raízes, folhas, frutos e trilhas. Que nos fazem perder este caminho...Ai devemos voltar para adentrar ainda mais ao centro da floresta...O pássaro se cuida em minhas pernas. E na sala assistem a um programa sensacionalista...Pois é dezembro e não há o que fazer será? A muitos livros de poesia para eu ler...Mas entre eles há algum poeta de verdade...Temos que ser duros conosco mesmo. E com o
próximo...Ler e escrever é a busca da sabedoria...E ainda somos tolas crianças...Tentando passear num jardim enquanto a floresta nos desafia?


João Carlos Faria

Mundo Gaia

Literatura, filosofia e arte

www.mundogaia.com.br

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