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quarta-feira, 28 de maio de 2008

para joca faria

Cidade dormitório. Ainda férias...Ontem assisti o ótimo "The Devil and Daniel Johnston" sobre o genial artista americano Daniel Johnston (http://www.hihowareyou.com/) no canal HBO.Confesso que fiquei chocado com a história do cara. A vida dele não dá um longa, dá um seriado inteiro.Dois dias atrás assisti (novamente) o documentário ""Hype!" uma excepcional radiografia no movimento grunge e logo em seguida, "Últimos Dias" do Gus Van Sant (http://www.lastdaysmovie.com/) uma leitura poética sobre a lenda Kurt Cobain. Um filme difícil de assistir mas, em matéria de cinema, adoro o não-convencional.E não é que o tal Daniel Johnston - que já era lenda na região de Austin, com milhares de seguidores - virou ícone mundial ao ter uma camiseta com sua arte estampada, usada justamente pelo Kurt Cobain na premiação da MTV em 1992?Suas músicas foram gravadas por Pearl Jam, Sonic Youth entre outros grandes nomes do rock mundial. Não sei bem porque, em meio a tudo isso, lembrei-me de você, Joca, da sua luta diária, da sua percepção de mundo. Um Daniel Johnston joseense? Só o tempo (implacável) dirá.Fiquei com vontade de produzir um livro seu. Ainda não sei como, mas a gente dá um jeito, levanta recurso, sei lá. Faz acontecer.Afinal, é dessa forma que as coisas acontecem nesse deserto de cidade, onde quase nunca acontece algo que valha o registro.Por falar em não acontecer, conversei dia desses com o Edson Prata, guerreiro que respeito pela ousadia de ser quem é. Conversamos sobre histórias não-narradas, artesanato x capital, o problema de se morar num local de segurança nacional.Então, acho que começo a compreender porque as coisas nunca acontecem de fato nessa cidade (por inteiro, constante). Daniel Johnston saiu de sua cidadela natal, foi pra Austin, lá despontou para finalmente brilhar em Nova Iorque.Porque ainda acreditamos numa cidade como essa? Porque ainda investimos nosso tempo e energia aqui?A diferença entretanto, entre São José e São Paulo, é que lá existem amplificadores maiores.Gus Van Sant, Daniel Johnston, Planchez, Lars Von Trier, Kurt Cobain, Solfidone, David Lynch, Bispo do Rosário, Gentileza.O mundo é dos que se arriscam à beira do abismo.Wallace, janeiro de 2008Produzido por Wallace às 17h18 [(2) Comente Você também!] [envie esta produção]Quarta-feira , 19 de Dezembro de 2007 o papel social da arteA Arte, no seu sentido mais antropológico, serviu no decorrer dos séculos, para ilustrar uma parte da história, fosse ela registrada nas paredes de uma caverna, fosse ela exposta na Capela sistina.A partir de Marcel Duchamp, a arte deixa de ser reprodução da realidade e passa a ser a própria representação da realidade.Se, a partir de então, a arte passa a carregar consigo um sentido próprio sobre o mundo, ela deixa de ser entretenimento e se torna provocativa.E, por trás dessa arte, está o artista. Ele é o grande questionador de seu tempo, do mundo que o cerca.Ser artista é ter atitude de artista. É olhar o mundo de outra forma. É entender que a dialética está presente em tudo, desde o discurso até a estética, sabendo portanto, que as coisas nunca são o que aparentam num primeiro olhar. Ser artista é ter um olhar diferente sobre tudo. E sobre si mesmo.Bom, dito isso, acho que novela definitivamente não se enquadra no quesito ARTE, portanto, atores que trabalham em novelas não são necessariamente artistas (no sentido descrito acima). São reconhecidos como artistas por um sindicato que rege a categoria. Mas, são mais trabalhadores da cultura.O artista verdadeiro está invariavelmente restrito a guetos.Zé Celso, Bispo do Rosário, Gentileza, Frans Krajcberg, Glauber Rocha, Sebastião Salgado.O que faríamos sem esses artistas maravilhosos e suas obras provocativas?Coisas para se pensar. Nem tudo é financeiro na construção das relações.Wallace Puosso, dezembro de 2007

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