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terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A imortalidade na estante de vidro? Não tenho vidraças?

Joca Faria


Formigas invadem nosso corpo leio a poesia de Fabrício Carpinejar e me distraio com a lua que ainda não se pós . O sol entre nublados ares que atravessa com seus raios pelas telhas de minha casa na Mantiqueira...fico em silencio vendo sombras projetas no meu quarto cheio de estatuas de Deuses esquecidos pelo Tempo. Como pastel na pastelaria em frente a Biblioteca...Não há luz na noite passada....leio um poema de Cassiano Ricardo num mural em sua Fundação agora grito que renasça Cassiano e venha dançar cirandas conosco....os poetas são assim as vezes enterramos para refazer das cinzas uma nova poesia...e que no fundo queremos um livro nosso ao lado dos que já se foram. É o sonho da imortalidade literária...para que ser imortal , não sei dever ser legal ter livros corroídos pela traça...não dé nomes a bois ...pois eles podem voar...tenho mais quinze minutos para completar este texto...e que não sou mutante...quero ter uma família , pois
ando lendo José Saramago no evangelho segundo jesus cristoooo...
Não sou ateu...nem prometeu ...não trago fogo nem luz ainda estou nas trevas...quero fazer amor numa alcova limpa e segura...mas quem ? esta seguro nestes intervalos entre o nascer e o morrer...não somos nada além de nos mesmos...espero ônibus com Marcelo PlAnchez e fazemos filosofias no ponto sem perder o ônibus só deixamos passar para ver as formigas brincando no açúcar caído de um saco de Fabrício Carpinejar...quando era criança roubei nafitalinas pensando ser balas ...e nunca mais roubei...além dos fogos dos deuses...somos anjos caídos tentando levantar...quero somente o sexo sagrado chega de seis meses de luxúria não há tempo talvez as portas dos templos estejam sendo fechadas...como dizia Rabulu aquele que não quero ler...pois tralmatizei-me com seu Hercolubussss...ouçam as vozes dos profetas talvez ainda tenhamos quinhentos anos....não tenho medo do abismo...leio poetas via a net...leio novos poetas e retomo antigos...minha
poesia não é maldita não estou a margem e sim dentro do sistema...quero ser eu mesmo? Mas quem sou?

João Carlos Faria

www.cidadedaspalavras.com.br

http://fariajoca.blog.terra.com.br/

PACOTES DE PAPEL

Da série MINHA INFÂNCIA NÃO ATRAVESSA A RUA SOZINHA


Fabrício Carpinejar

As formigas entraram em meu teclado. Piso nelas em cada letra. São formigas quase transparentes. Ruivas. Eu diria que são formigas fantasmas, mas não acredito em fantasmas. Na minha infância, não havia sacolas de plástico no supermercado. Eram sacos de papel. De vez em quando, os pacotes se desmanchavam, dependendo da ordem da comida, e as compras tombavam ruidosamente. O pão de casa era um só, grande. Minha mãe o cortava sempre em quinze fatias. Não errava as porções em nenhuma janta. Não beneficiava ninguém. Antecipava-se aos ponteiros. Cada um recebia três nacos. Até hoje não ultrapasso minha cota. Eu acostumei minha fome à trinca de rodelas. A casca ficava por último. A casca é a verdura do pão. O miolo amaciava o sorvo. Não precisava cobiçar o outro prato. Meus olhos não usavam talheres. Eu jurava que todo sonho na infância já era uma forma de ser adulto. Havia um calendário na porta da geladeira. Meu pai jogava dominó
com os dias. Nunca tive dinheiro para pagar a diferença entre meu nascimento e minha morte, por isso continuo vivendo. Os caroços que arremessava na terra não cresciam em árvores. Deveriam crescer para pássaros. Tudo que não germina no chão germina em vôo.

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