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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Bombas


Joca Faria

Outra manhã em minha vida não olhei pro céu não vi dragões voando.
Não te vi nua em minha frente, pássaros voam no céu, mas não os vejo.
Aviões explodem nas manhas de agosto. Risca-se o céu em brasa.
Cadáveres não se reconhecem. Morro em silencio, devia ter escutado os profetas.
Não escutei morro calado em silencio. A corrupção humana é o ápice de nosso egoísmo.
Enquanto crianças morrem de fome em nossas periferias.
Não te vi nua na praça. Não te vi voando de vassoura. Não te abracei na manhã , morro em silencio. Deixo um testamento. Escrevo mentiras nele. E sorrio para a enfermeira ao morrer.
Agora sou cadáver num caixão. Os ratos me esperam no túmulo. Mas estou livre das amarras.
Não vi suas pernas numa saia branca, quero sentir o cheiro de sua vagina.
Só tenho um real para te dar, vamos fazer amor num fétido banheiro de padaria.
Como adolescentes sem dinheiro.
Bombas explodem no congresso em Brasília, quem levou a bomba?
Quinhentos ladrões morrem, os urubus fogem das carniças de porcos deputados.
Bombas bombas bombas na capital do sexo....
Quem vai mudar esta nação? Ficamos em silencio após nosso gozo no banheiro...
Saímos a passear pela cidade, pomos nossa bomba no correio...Chega terça ...No congresso.....
Vamos embora deste pais, pois o tempo urge...
Fazemos amor em Paris...enquanto o sangue rola no que restou do congresso...
Fazemos amor enquanto ouvimos o hino nacional...
A policia cerca nosso hotel nos rendemos....Separam nos....
Mas nos vemos no tribunal...E assim somos cadáveres ambulantes...

João Carlos Faria

www.cidadedaspalavras.com.br

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