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quarta-feira, 10 de maio de 2006

ENTREVISTA DE EDU PLANCHEZ

A GOSTOSA REPORTER "NÁDIA CARAMURU" entrevista o
poeta EDU PLANCHEZ:

Nádia Caramuru

SE VC NÃO TIVESSE ESSE ROSTO QUE ROSTO TERIA?


Edu planchez-


Estou profundamente satisfeito com meu atual rosto,
mas se podesse assumiria o rosto de Leonardo Davinci.
A lucidez me faz um homem lindo. Aprendo correr
acompanhando os espasmos do meu tempo. Devoro os
noticiários, meu rádio não desgruda da CBN:as notícias
da guerra batem na tela do meu rosto; pés e mãos
gritam por todo o quarto. O que posso fazer?Não sou
tão impotente assim. Ver a maldade e nada fazer é
tornar-se parte pulsante dela.Diante de tanta miséria
eu não sou a miséria. Minha regente atitude é ainda
mais apostar na agudez do belo, no intenso e no
profundo. Meu rosto é o cinema de todos os rostos.


Nádia Caramuru-

O QUE A POESIA E O POETA PODEM FAZER?



Edu Planchez

Tudo! Conclamo o poeta e a poesia assumirem o comando
das Nações. Como? Na prática descobrimos. Estou
inundando a internet de poesia. Meu espírito e meu
corpo de sangue seguem no ventre eterno das palavras.
Quem toca-las tocará em mim e em todos os meus
mestres, amores, filhos e amigos. A poesia é isso, um
turbilhão de veias que se rasgam para engolir num só
gole os cincos continentes. Sou poeta, disso me
orgulho. Em 1989 estava no gigantesco palco do último
comício do então candidato a presidente Lula, na
Candelária Rio de Janeiro. Diante de um mar de um
milhão de pessoas eu cantei, tive esse
privilégio.Cantei depois do Lobão e antes do discurdo
de Luís Carlos Prestes. Ví e ouví Luís Inácio Lula da
Silva bradar: "Eles podem destruir uma, duas, três,
quatro, cinco mil flores. Mas jamáis impedirão a
chegada da primavera''.

Nádia Caramuru


E O CAMINHO?


Edu Planchez



É infinito. O pé precisa tocar na pele das ruas muitas
e muitas vezes para engrossar ou ficar totalmente
fino. Não há meio termo. Fui criança até os meus vinte
e um anos, com essa idade fiz amor pela primeira vez.
O local era uma praia do litoral norte de São Paulo e
ela ( a mulher) uma portuguesa de Lisboa, bem mais velha,
poeta, cantora, mãe de quatro filhas... O caminho é
porrada e vinho fino. Perfeito que seja assim: o
diamante ejacula do carvão massacrado. Poderia ter
feito o que meus irmãos fizeram: passar a vida inteira
no posto de um funcionário público: vida segura,
geladeira sempre cheia, mulher feliz, sociedade
satisfeita. Um dia fui agente administrativo do
Ministério da Aeronáutica. Um dia botei fogo na
lixeira da escola. Um dia estive quase nu no pátio da
Sanatório da Tijuca. Por cinco anos tomei Aldol. Um
dia compus uma canção para o "Cidade Negra", Da
Gama(guitarrista da banda, que eu conheço de longa
data, comentou com meu amigo-irmão Paulo Sidimil:"Edu
Planchêz?! Aquele cara metido a intelectualóide?!?!?
"A vida não tem roteiro. Nada é seguro. Quem gosta de
abismos tem que ter asas."


www.blakerimbaud.com.br

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