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terça-feira, 23 de maio de 2006

Agora que ela canta

AGORA QUE ELA CANTA

Antônio Eduardo Planchez de Carvalho

um homem do passadono dia de hojeUma tristeza longínqua respira arcadas em minhas janelas humanasNa divisa da tarde ruiva com a noite relva, no pêlo de um lobo, pantera, mocho e corvoTrago o fígado da tarde-noite para ser tratado pela água dos meus olhos."O rio de Piracicaba vai jogar "almas" pra fora" Delírios de um ano inteiro para um vivente dos temporais inusitadosGostaria de saber escrever bem melhorGostaria de anoitecer agora, agora que ela canta. Primeira luz trazida pelas lontras das chuvas eternasResta-me ser um único hemisférioPelo azul eu sou o meridionalPelo canto do uirapuru esqueço tudo o que disse anteriormentee me oculto na florestaAtravés dos vãos das folhas pardas avisto luas-planetas- astros-estranhosConstruo poemas gigantes com os pésFôlego, é o que mais tenhoMeu fôlego de flores cobre todo o Brasil nas penas de mil bandos depapagaios,araras e bicos-de-lacreLágrimas de pedra precipitam-se das dezenas de ossos que tenho:olhos nos ossos, nas unhas e nos cabelos do sexoPeruca das árvores cobertas do orvalhoAntônio Eduardo, pai e mãe de todos os cachorrosCipó-chumbo brotando dos botões do micro-systen Nos resta um contrabaixo acústico cosendo a fartura rítmicadas últimas milhares de semanasAs bocas de mil Bhudas se abrem,escorrem estrelas e o que não sei definirPássaros do breu, filhos de Allen Ginsberge Florbela EspancaMinhas vistas violetas amam a gelatina dos versosclitóris de Ana Cristina Cesar A luminosidade da minha poesia é um antídotoao avanço neo-conservadorA luminosidade da tua poesia é um antídotoao avanço neo-conservador Chamar Allen Ginsberg de senhor é sacanagemA boa música é negada as pessoasO Brasil “exporta” os seus melhores talentose os nega para o seu próprio povoE nos impõe uma ditadura mentalNinguém conseguirá deter o grande renascimento da poesiaNinguém, nenhum demônio careta conseguirá detero renascimento do verdadeiro espírito humano Que se dane que a Ivete Sangalovendeu milhões de cópiasO Brasil tem 160 milhões de habitantesNão somos obrigados a engoliresse e outros lixos oportunistasMediocridade se opondo à eternidade Se esses aproveitadores olharem para o sol (interno)conhecerão a cegueira de suas pobrezas E quem é que precisa de lixo? Determino o renascimento do homem totalHomem, homem, nem um pouco Deus e sim homem,profundamente integrado ao movimento do planeta,a partir do movimento de sua comunidade,das pessoas que ali vivem "É chegada a hora de reeducação de alguém,do pai, do filho, do espírito santo, amém!" Aquele que luta apenas em prol de seu próprio benefícioestá terrivelmente errado,esse não é o movimento do universo,essa não é a corrente do grande oceano vivoVocê, que se calou por pura conveniência,deveria cortar literalmente a língua e jogar aos porcos Dinheiro, poder, posição, jogos de interesses:Que pobreza!Os homens esqueceram que são pássaros Tire seu velho sapato antes que seja tardee pise o ventre de Mãe TerraDancemos voltados para a África, para a Índia,para a Serra da Mantiqueira, para extremo sul dos Andes Rebolemos recitando os versos de todos os poetas brasileirosNordesteSulCentro-OesteNorteSudeste Ali está a estrela Dalva e as estrelas das constelaçõesUrsa Maior e Ursa MenorQue tal um "Frevo rasgado"?"OLHE BEM NOS MEUS OLHOS/OLHE BEM PARA VOCÊ/O FATO É QUE/ A GENTE PERDEU TODA AQUELA MAGIA (...)" 25 de dezembro de 1995Parque Novo Horizonte -SJCampos- SP (Edu Planchez)

Horiginalmelmente publicado no LITTER.

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